"Eu já falei pra não abrir a porta pra esse povo que diz ser da igreja!!!"
Há quase quinze anos atrás, Kevin Williamson e Wes Craven criavam um filme de terror que seria um divisor de águas e revitalizaria todo um gênero que estava quase morto. Pânico ganhou grande destaque por, além de trazer um elenco de primeira num tempo em que terror era um filme recheado de artistas desconhecidos, trazia também uma boa leva de jovens atores que se tornariam icônicos. Isso sem falar que o modo como ele brincava com os clichês de filmes de terror, usando e abusando da metalinguagem, foi o grande trunfo da série.
Bem, eu levaria muito mais tempo se fosse dissecar o primeiro filme da trilogia... Porém, o que farei neste post é apenas dar minhas breves impressões do filme Pânico 4, que pode começar uma nova trilogia, tudo depende do sucesso do filme...
De volta à Woodsboro... literalmente
Sidney está aparentemente melhor depois de tantos anos em que foi perseguida, traída, esfaqueada, por aí vai... Agora ela tenta passar uma nova imagem: não é mais vítima, é uma sobrevivente de fato. Tanto que escreveu um livro que se tornou um sucesso.
Mas é claro que as coisas não iam ficar em paz por muito tempo, afinal se tem algo que o povo ama é ver a coitada da Sidney lutando pela vida enquanto um(a)(s) maníaco(a)(s) corre(m) atrás dela. E no aniversário de quinze anos do primeiro massacre, enquanto Sidney faz uma tarde de autógrafos, descobre-se que duas garotas foram assassinadas e tais evidências foram encontradas no carro de Sidney.
Por conta disso, Sidney é obrigada a se hospedar na casa da irmã de sua mãe, e reencontra os velhos companheiros de correria Dewey e Gale, ainda casados mas com alguns probleminhas de convivência. Os três então tentam descobrir qual é a nova intenção do assassino, aprendendo que quinze anos depois o estilo dos filmes de terror mudaram e novas regras serão aplicadas.
Velhos amigos se reencontram... na tragédia, claro.
Antes que muitos digam que Pânico 4 acabou se mostrando parte daquilo que criticava - os filmes de terror e seus clichês, repetidos à exaustão - como a crítica faz questão de apontar, saiba que os criadores do filme já tem a plena consciência disso... e fazem piada disso sempre que dá.
Pânico criou novas regras (atores jovens e adolescentes extremamente populares, um grande assassinato nos primeiros minutos, a dupla de assassinos etc) e suas sequências obviamente absorveram isso, e Pânico 4 ri de toda situação: a sua situação. Uma continuação de uma trilogia de muito sucesso. E isso acaba sendo divertido. A cena em que Kirby, personagem de Hayden Panettiere, fala em disparada trocentos filmes de terror que foram refeitos nos últimos anos é de rachar, mesmo que num trecho tenso do filme.
E apesar de continuar rindo dos filmes de terror, e de sua própria condição como um, este Pânico 4 pode ter certo destaque no sentido que, ao contrário de anos passados em que a cada filme da trilogia a quantidade de litros de sangue diminuia, neste há até tripas para se ver à vontade. Não numa quantidade digna de Jogos Mortais, mas percebe-se que tomaram um pouco mais de ousadia em algumas cenas sanguinolentas. Mas o filme não tomou o rumo de utilizar cenas ultraviolentas como os filmes de terror atuais, graças a Deus. Aí seria realmente apelação.
É interessante ver a interação dos três únicos sobreviventes e do elenco novato. Neve Campbell agora mostra a personagem Sidney menos "abalada" como o terceiro filme mostrava... e que eu achava um saco. Pode ser que ela estivesse mentalmente acabada, mas algumas cenas dela em Pânico 3 me pareciam exageradas. Agora ela está empenhada não só em salvar, mas salvar o que restou da família. Se ela consegue? Não seeeeeeei... XD Courteney Cox, como ela mesma chega a falar no filme como Gale Weathers, não perdeu o jeito. Sua mania de estrelismo continua sendo piada, ainda mais depois que ela se vê visivelmente chateada por estar levando uma vidinha pacata numa cidade pequena. Os assassinatos são uma chance dela se ver novamente em ação. E, bem, o Dewey, interpretado pelo David Arquette, continua um banana. Não sei como ele foi promovido a xerife do local...
Dos personagens novos não é possível não destacar a Kirby, protagonizada pela Hayden "Salvem a cheerleader" Panettiere, que é a típica personagem feminina desencanada que, apesar da tragédia, acaba se divertindo com a situação, visto que ela é fã de filmes de terror. A outra seria a policial Judy Hicks, interpretada pela Marley Shelton - que até estrelou um desses filmes de terror "inspirado" em Pânico, chamado O Dia do Terror - que também acaba dando luz pro filme como uma policial que segue as regras estritamente e que meio que rivaliza com a Gale. Mas a maior surpresa é com a identidade do assassino, por vários motivos... Só isso que posso dizer.
É hora do duelo!
Agora, se você quer minha opinião sobre se o filme deve ter mais continuações, formando uma nova trilogia... Honestamente, por mais que eu tenha amado este novo filme, acho que não. Esse só já basta pra mim. Ele terminou de um modo tão fechadinho, - calma, não é spoiler! - bem feito, que eu acho que uma próxima sequência talvez fosse desnecessária, apelativa. Em consequência talvez acabaria caindo no clichê definitivo de filmes com sequências intermináveis e que acabaria com a franquia. Esse é meu medo, mas enfim, não está em minhas mãos essa decisão, e sim na dos produtores de Hollywood.
Pânico 4 não revoluciona os filmes de terror, e é um filme consciente disso. Sua função mesmo é de homenagear aquele primeiro filme de 1996, fazendo uma sequência que agrade os fãs da trilogia que buscam por momentos nostálgicos vendo Sidney se quebrando toda pra escapar do maníaco. E seguindo a regra principal do filme sobre as sequências, Pânico 4 não fode com o original. Ainda bem!
Pânico 4
Gênero: Terror/suspense
Ano: 2011
Diretor: Wes Craven
Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Hayden Panettiere, Emma Roberts, Rory Culkin, Mary McDonnell, Marley Shelton, Anthony Anderson, Adam Brody